quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Considerações Sobre o Conceito de Política em Aristóteles

Este breve resumo me parece suficiente para definir não só o que é "política", como para definir também a visão de Estado, Polis ou, de uma maneira geral, "ordem", para o Estagirita

Já adianto que é muito diferente da defesa do estatismo.

O ser humano, por natureza, não é totalmente independente ("individualista") ou totalmente dependente de outros ("comunitário"). É nesta eterna tensão entre o indivíduo e o grupo que a história humana reside.

De minha parte, admito, não há precedência do individual sobre o coletivo. Apesar de o ser humano aparecer primeiro do que a forma de ordenação do Estado, todo o ser humano nasce individual e coletivo ao mesmo tempo. Fomos "feitos" para conviver em grupo. O homem é portanto individual e coletivo, tudo a mesmo tempo agora.

Considero que isto é frisado no trecho "O homem que não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta.". Perfeito.

Mas qual seria a sociedade na qual os homens têm necessidade de viver? Ao meu ver cada sociedade - que é um sub-produto fundamental e alienável à própria existência humana - tem qualidades e defeitos que são consequências naturais das qualidades e defeitos dos seres humanos que a formam.

Então o conceito de Polis aristotélico pode ser traduzido por : cidade, sociedade, Estado. E a "ordem"? Por ordem entendo todas as regras implícitas ou explícitas que nos mantém e nos "ordena" dentro de um determinado grupo social.

Mas o que antecede à Polis? Ainda sim, o indivíduo. Há de haver um indivíduo (dois, para ser mais exato!) para que haja coletivo. O teor que determinada ordenação grupal, formal ou não, terá irá depender do conjunto de qualidades dos indivíduos que a compõe.

Mas Adam Smith não demonstra, por outro lado, que uma ordem, mesmo baseada em princípios não "bons" (como o lucro, a cobiça), pode gerar o "bem"? Este é o caso da "mão invisível".

Ou seja, a ordenação , em si mesma, teria poderes de gerar o bem...

Correto. Mas isso nega as afirmações anteriores?

(...to be continued....)



O Conceito de Política em Aristóteles
O CONCEITO DE POLÍTICA EM ARISTÓTELES
Aristóteles começou a escrever suas teorias políticas quando foi preceptor de Alexandre, “O Grande”. Para Aristóteles a Política é a ciência mais suprema, a qual as outras ciências estão subordinadas e da qual todas as demais se servem numa cidade. A tarefa da Política é investigar qual a melhor forma de governo e instituições capazes de garantir a felicidade coletiva. Segundo Aristóteles, a pouca experiência da vida torna o estudo da Política supérfluo para os jovens, por regras imprudentes, que só seguem suas paixões. Embora não tenha proposto um modelo de Estado como seu mestre Platão, Aristóteles foi o primeiro grande sistematizador das coisas públicas. Diferentemente de Platão, Aristóteles faz uma filosofia prática e não ideal e de especulação como seu mestre. O Estado, para Aristóteles, constitui a expressão mais feliz da comunidade em seu vínculo com a natureza. Segundo Aristóteles, assim como é impossível conceber a mão sem o corpo, é impossível conceber o indivíduo sem o Estado. O homem é um animal social e político por natureza. E, se o homem é um animal político, significa que tem necessidade natural de conviver em sociedade, de promover o bem comum e a felicidade. A polis grega encarnada na figura do Estado é uma necessidade humana. O homem que não necessita de viver em sociedade, ou é um Deus ou uma Besta. Para Aristóteles, toda cidade é uma forma de associação e toda associação se estabelece tendo como finalidade algum bem. A comunidade política forma-se de forma natural pela própria tendência que as pessoas têm de se agruparem. E ninguém pode ter garantido seu próprio bem sem a família e sem alguma forma de governo. Para Aristóteles os indivíduos não se associam somente para viver, mas para viver bem. Dos agrupamentos das famílias forma-se as aldeias, do agrupamento das aldeias forma a cidade, cuja finalidade é a virtude dos seus cidadãos para o bem comum. A cidade aristotélica deve ser composta por diversas classes, mas quem entrará na categoria de cidadãos livres que podem ser virtuosos são somente três classes superiores: os guerreiros, os magistrados e os sacerdotes. Aristóteles aceita a escravidão e considera a mesma desejável para os que são escravos por natureza. Estes são os incapazes de governar a si mesmo, e, portanto, devem serem governados. Segundo Aristóteles, um cidadão é alguém politicamente ativo e participante da coisa pública. Segundo Aristóteles, sem um mínimo de ócio não se pode ser cidadão.Assim, o escravo ou um artesão não se encontra suficientemente livre e com tempo para exercer a cidadania e alcançar a virtude, a qual é incompatível com uma vida mecânica. E os escravos devem trabalhar para o sustento dos cidadãos livres e virtuosos. Aristóteles contesta o comunismo de bens, mulheres e crianças proposto por Platão. Segundo ele, quanto mais comum for uma coisa menos se cuida dela.




Powered by ScribeFire.

Nenhum comentário: